Sentar,engatinhar e andar: cada bebê tem o seu ritmo




















Por Dr. Roberto Cooper – Pediatra*
Do Bolsa de Bebê
Um dos marcos do desenvolvimento motor da criança é quando ela consegue se sentar sem apoio. Isso ocorre em torno dos 6 meses de idade e a criança passará a ver o mundo com um olhar mais horizontal. O seu horizonte aumentará em muito. Em torno dos 9 meses, a criança vai começar a engatinhar. Pela primeira vez, a criança conseguirá, sozinha, se deslocar, saindo do lugar. Depois de engatinhar, a criança começará a segurar nos objetos e ficar de pé. Aos poucos, arriscará um passinho, segurando em algo. Finalmente, se soltará e dará seu primeiro passo, por volta de um ano de idade.


Essas idades são apenas referências e não devem ser consideradas como um prazo fixo. Cada criança é diferente e única. Uma criança que se senta com 5 meses e pouco não é mais adiantada do que outra que vai se sentar com 7 meses. Simplesmente são diferentes. Nenhuma é adiantada ou atrasada. Cada uma tem seu ritmo e tempo. Assim, algumas crianças começam a engatinhar antes dos 9 meses, outras depois. Algumas engatinham por muito tempo, outras começam a andar pouco tempo depois de engatinharem.





É muito importante que os pais aceitem que seus filhos possuem um ritmo próprio. O estímulo que podem fazer deve ser coerente com a habilidade do filho. Não adianta querer antecipar ou acelerar uma etapa. Tudo começa com colocar o bebê acordado de bruços para brincar. Esse é o melhor estímulo para o bebê. Depois, sentado no carrinho ou apoiado em almofadas, até que se sente. Deixá-lo sentado em uma superfície firme, mas macia, é importante para que arrisque alguns movimentos, inclusive, cair para a frente e para trás!


Quando o bebê começa a querer engatinhar, os movimentos nem sempre são coordenados e, não raro, engatinha para trás, antes de conseguir engatinhar para a frente. Uma tentação a ser evitada é ficar segurando o bebê pelos braços para "estimular" que ande. Deixe que ele mesmo se segure nas coisas e quando estiver realmente hábil nesse caminhar, aí sim, alguns passinhos podem ser dados segurando-o pelos braços. O importante é lembrar de tirar do caminho tudo que o bebê pode puxar e se machucar, como um fio de abajour ou coisas em cima de mesas que possa alcançar. Quinas de móveis passarão a ser uma ameaça constante, bem como tomadas descobertas. Com a maior mobilidade do bebê, aumentam as necessidades de medidas que previnam acidentes. Os pais devem tentar olhar para o ambiente a partir da perspectiva da criança e detectar os potenciais "perigos", tomando as medidas para evita-los.


Se os pais estiverem preocupados com o desenvolvimento motor de seu bebê, o melhor que podem fazer é consultar o pediatra. Não devem ter vergonha de perguntar nada. Melhor perguntar a quem realmente detém um conhecimento e pode efetivamente tranquilizá-los, do que ouvir opiniões "alarmistas" ou conviver com uma dúvida que corrói.


*Dr. Roberto Cooper é médico formado pela UFRJ em 1976
Residente de Pediatria do Hospital da Lagoa- 1976/1977
Título de Especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria
Médico do Instituto Fernandes Figueira- FIOCRUZ
Consultor da OMS até 1985