Confirmada morte de criança por meningite e surto da Síndrome da Mão-Pé-Boca





















Cerca de 100 crianças estão com a Síndrome da Mão-Pé-Boca, que pode evoluir para meningite






A morte do menino Gabriel Valentin de Souza, de um ano e dez meses, ocorrida nesta segunda-feira (2), foi decorrente de meningite viral e hipertensão intracraniana, segundo informou o G1. O menino, de Adamantina, morreu em Marília, onde estava hospitalizado.



De acordo com declarações da enfermeira da Secretaria Municipal de Saúde de Adamantina, Rosemary Mantovani, ao G1, o menino Gabriel havia sido internado dia 20 de março na Santa Casa local, em estado febril, sendo liberado no dia seguinte. Com a piora no estado de saúde, a criança foi levada pelos pais a um neurologista em Marília, que identificou uma hipertensão intracraniana.




Em razão do estado grave, a criança ficou internada no Hospital Materno Infantil de Marília, sob cuidados intensivos, mas não resistiu e morreu na última segunda-feira (2).




Sua morte causou repercussão em toda a cidade. Além do drama pessoal vivido pela própria família, o caso também deixa outros pais apreensivos, sobretudo aqueles que têm filhos na EMEI da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Sonho de Criança, localizada no Bairro Mário Covas, onde Gabriel era atendido.




Em reportagem do Bom Dia Fronteira, a diretora da EMEI, Valéria Cristina Cardoso Costa, disse o menino Gabriel ficou cerca de uma semana sem frequentar o lugar, quando os funcionários identificaram que a criança estava com a garganta inflamada, ficando então sob cuidados dos próprios pais, para a busca por atendimento médico.




Síndrome da Mão-Pé-Boca x Meningite
Ainda de acordo com a diretora da EMEI, os pais das demais crianças têm mostrado preocupações, já que existe um quadro com cerca de 12 crianças com diarreia, ao mesmo tempo, ao longo dos últimos 15 dias, seguidos de problemas na pele. Como procedimento de rotina, os pais são informados e orientados a buscar os serviços de saúde.

De acordo com declarações da enfermeira Rosemary Mantovani ao Bom Dia Fronteira, são cerca de 100 crianças na cidade com esse sintoma, conforme apuração da Secretaria Municipal de Saúde, o que pode indicar um surto da Síndrome da Mão-Pé-Boca, que eventualmente pode evoluir para um quadro de meningite.




Ouvido pelo Bom Dia Fronteira, o clínico geral Rafael Antônio Pilon explicou que a Síndrome da Mão-Pé-Boca é uma doença causada por vírus do aparelho digestivo e provoca infecção oral, podendo acometer também o aparelho respiratório e o sistema imunológico  evoluir para meningite, o que depende do fator de violência do vírus e da imunidade do paciente. 




Segundo o médico, a Síndrome da Mão-Pé-Boca transmitida via oral (objetos e mãos levadas à boca) e pelas fezes (quando é feita uma troca de fraldas e não há a correta higienização das mãos por aquele que atuou nos cuidados com a criança). Ele explica que, como qualquer outro vírus, o período de incubação é de 2 a 3 dias e dura no máximo 7 dias. “É tranquilo e há tratamento, a menos que o paciente tenha problemas de imunidade”, destacou. Nesses casos, Síndrome da Mão-Pé-Boca pode evoluir para uma meningite.




Higienização e cuidados
A EMEI onde o menino Gabriel estudava foi higienizada, dentro do que orienta os manuais de saúde. E de uma maneira geral, os profissionais da saúde recomendam atenção com a higiene das mãos e dos objetos que a criança brinca, sobretudo aqueles que possam ser levados à boca, como brinquedos, copos e talheres. Os objetos e mãos devem ser lavados e até mesmo higienizados com álcool gel.
Diante de qualquer sintoma, como febre, amidalite e lesões na boca, mão e pés, os pais devem procurar o serviço de saúde para diagnóstico, tratamento e orientações.